Tuk-tuk elétrico ou a gasolina: qual é o mais económico?

2026/04/01 13:37

Falei com mais de 25 condutores de tuk-tuk em três países, analisei os números com mecânicos e até testei modelos elétricos e a gasolina durante uma semana. Vamos analisar a relação custo-benefício dos tuk-tuks elétricos versus os a gasolina, focando-nos no que realmente importa: o fluxo de caixa diário, a poupança a longo prazo e os custos ocultos que ninguém menciona.


Triciclo motorizado a gasolina


Custos diários: cada cêntimo conta quando se está na estrada o dia todo.

Comecemos pela parte mais importante: quanto gasta todos os dias para manter o seu tuk-tuk a funcionar. Para a maioria de nós, isto não é apenas uma despesa — é a diferença entre comprar o jantar para a família ou saltar uma refeição para pagar a gasolina. A Maria, que entrega encomendas em Nairobi com o seu tuk-tuk, disse-me a mesma coisa — só que os seus custos com a gasolina eram ainda mais elevados. “A gasolina aqui custa 1,60 dólares por litro”, disse ela. “Gastava 8 dólares por dia em combustível e mais 5 dólares em pequenas reparações — como mudar a vela de ignição ou o óleo. Agora, o meu tuk-tuk elétrico custa 1,50 dólares por dia para carregar e não gastei um tostão em reparações nos últimos 6 meses. A única coisa que tive de mudar foi uma pastilha de travão, que custou 2 dólares. Só isso.”

Sejamos realistas: os tuk-tuks a gasolina são um verdadeiro poço sem fundo quando se trata de manutenção diária. É necessário mudar o óleo a cada duas semanas (custando 5 a 8 dólares de cada vez), as velas de ignição têm de ser trocadas a cada três meses (de 3 a 5 dólares) e os filtros de ar têm de ser substituídos mensalmente (de 2 a 4 dólares). Tuk-tuks elétricos? Sem óleo, sem velas de ignição, sem sistema de escape. A única manutenção necessária é verificar os travões a cada poucos meses e fazer a rotação dos pneus. Isto representa uma poupança de 20 a 35 dólares por mês — dinheiro que fica no seu bolso, não no do mecânico.


Triciclo motorizado a gasolina


2. Custos a longo prazo: o teste de 5 anos (porque não compramos tuk-tuks para usar apenas durante 6 meses)

Tomemos o exemplo de Ravi, que gere uma pequena frota de 5 tuk-tuks em Deli. Trocou dois dos seus tuk-tuks a gasolina por elétricos há 2 anos e já está a ver a diferença. "Costumava gastar 1.440 dólares por ano por tuk-tuk a gasolina só em combustível", disse. "Com os elétricos, são 300 dólares por ano. Manutenção dos a gasolina? 3.000 dólares em 5 anos. Para os elétricos? 600 dólares. E mesmo com o custo inicial mais elevado, poupei 5.000 dólares por tuk-tuk elétrico em 2 anos. No quinto ano, isto representa mais de 6.000 dólares por veículo. Para 5 tuk-tuks, são 30.000 dólares de lucro extra. Isto é suficiente para comprar mais dois tuk-tuks elétricos e expandir o meu negócio."

Outro aspeto que ninguém refere: a depreciação. Os tuk-tuks a gasolina deterioram-se rapidamente. Ao fim de dois anos, o seu tuk-tuk a gasolina de 4.000 dólares vale, no máximo, 2.000 dólares — porque o motor está gasto, a carroçaria está amolgada e os mecânicos não o querem reparar. Já os tuk-tuks elétricos? Mantêm o valor muito melhor. Ao fim de dois anos, um tuk-tuk elétrico de 6.000 dólares ainda vale entre 4.000 e 4.500 dólares. Por quê? Porque a bateria dura três a cinco anos (e o custo de substituição desceu para 800 a 1.200 dólares) e não há peças mecânicas importantes que se desgastem. Pode vendê-lo por um bom preço ou continuar a conduzi-lo por mais cinco anos.


Triciclo motorizado a gasolina


3. Custos Ocultos e Dinheiro Extra: Os Detalhes que Determinam o Seu Lucro

Se conduzir um tuk-tuk a gasolina, quantos dias por mês passa na oficina? Perguntei a 10 motoristas, e a média foi de 2 a 3 dias. São 2 a 3 dias sem ganhar dinheiro — dias em que fica parado à espera que o mecânico arranje o motor, troque o escape ou repare uma fuga. Para um condutor que ganhe 15 dólares por dia, isto representa 30 a 45 dólares por mês em renda perdida. E os tuk-tuks elétricos? A maioria dos condutores com quem falei disse que só precisa de ir ao mecânico uma vez a cada 6 meses — e demora no máximo 30 minutos. Chega de perder dias de trabalho.

Além disso, existem as coimas e as restrições. Cada vez mais cidades estão a reprimir os tuk-tuks a gasolina. Em Banguecoque, é proibido conduzir um tuk-tuk a gasolina no distrito comercial central durante as horas de ponta — o que significa perder os passageiros mais frequentes e que pagam mais. Em Deli, os tuk-tuks a gasolina têm de pagar uma taxa diária de congestionamento de 2 dólares, enquanto os elétricos estão isentos. Em Nairobi, pode levar uma multa de 50 dólares por conduzir um tuk-tuk a gasolina em determinadas zonas. É dinheiro deitado fora sem necessidade.


Triciclo motorizado a gasolina


Conclusão: Os tuk-tuks elétricos são melhores para o seu bolso — ponto final.

Antes pensava que os tuk-tuks elétricos eram apenas uma moda — até ver o sorriso do Pradeep quando falava da escola da filha, ou o alívio da Maria por não ter de se preocupar com as contas de reparação. Não são apenas veículos — são uma forma de ganhar a vida melhor. Os dias dos tuk-tuks a gasolina estão contados, e não é por causa da “sustentabilidade” — é porque os elétricos nos colocam mais dinheiro no bolso.


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