Qual o nome dado a um riquexó motorizado?
Se já se aventurou pelas ruas de Banguecoque, Deli ou Cairo — se realmente se aventurou, e não se limitou a correr do hotel para as atrações —, certamente já os viu. Aqueles minúsculos riquexós motorizados que cortam o trânsito como se fossem donos da rua, desviando-se dos carros e dos peões, com os seus motores a emitirem um zumbido estranhamente familiar e repetitivo. E se for como eu, provavelmente já parou a meio do passeio, franziu o sobrolho e pensou: Espera lá, como se chama um destes? Não é uma resposta simples, prometo. Este pequeno veículo — tão icónico, tão caótico, tão perfeito para se perder numa cidade nova — tem dezenas de alcunhas locais. Cada um está ligado à cultura, à língua, até à forma como o seu motor se engasga ao passar por um buraco. Abaixo, vou explicar três coisas que aprendi sobre estes nomes ao longo de anos a viajar — coisas que não encontrará naqueles guias de viagem genéricos online. Informações práticas para o ajudar a compreender verdadeiramente, bem como dicas para não parecer um turista completo da próxima vez que entrar num.
1. Nomes regionais: de tuk-tuk a bajaj — o que os habitantes locais realmente dizem (e não o que o Google diz)
A primeira coisa que vai notar ao viajar entre a Ásia, África e até mesmo partes da Europa? Nenhum lugar chama a estas coisas da mesma forma. E estes nomes não são aleatórios — são como pequenos instantâneos de como as pessoas vivem. Mostram como o veículo se encaixa no dia a dia delas, na gíria, na vida delas. Deixem-me apresentar alguns nomes que realmente ouvi os habitantes locais usarem (não os termos sofisticados dos blogues de viagens):
Na Tailândia, é "tuk-tuk" — em todo o lado. E sim, há uma razão. A palavra é simplesmente o som que o motor faz: aquele "tóok-tóok" a engasgar-se enquanto sacoleja pelas ruelas estreitas e apinhadas de Banguecoque. Eu costumava pensar que significava "barato" (uma parvoíce de turista, eu sei), mas um amigo local riu-se e disse-me que em tailandês é "thook" — som totalmente diferente, significado totalmente diferente. Dê um salto de alguns milhares de quilómetros para oeste, até à Índia, e o mesmo tipo de transporte é chamado de "auto rickshaw" ou simplesmente "auto". Faz sentido, certo? É motorizado, por isso adicionaram "auto" para o distinguir dos antigos riquexós puxados por pessoas (que ainda se vêem em algumas partes de Deli). E como a Índia é a casa da Bajaj Auto — o maior fabricante destes veículos do mundo — os habitantes de locais como Bombaim chamam-lhes simplesmente "bajaj", como se fossem lenços de papel. Sem problemas.
Desça até África e os nomes tornam-se ainda mais divertidos. Na Nigéria, são designados por “keke-napep”. Uma vez, perguntei a um habitante o que significava, e ele disse que é uma mistura de calão e da forma como as pessoas os veem: rápidos, picantes, como uma pitada de pimenta no caos das ruas de Lagos. Faz todo o sentido quando já andou num. Na Tanzânia e na África do Sul, o nome “tuk-tuk” pegou — provavelmente porque os turistas adoram o nome, e os próprios veículos vieram da Ásia. Mesmo na Europa, locais como Lisboa ou Paris têm veículos elétricos chamados “e-tuks” que transportam os turistas. A mesma vibe, só que mais silenciosos (e muito menos malcheirosos). Uma dica rápida: se estiver à procura do nome destes veículos num país específico, esqueça a pesquisa por “riquexó motorizado” — use o nome local. É assim que encontra informação real, e não dados genéricos sem fundamento.
2.º A História Oculta: Porque é que esta atração tem um milhão de nomes (e não é só uma questão de língua)
Eu compreendo — provavelmente está a pensar: "Porque é que não podemos simplesmente chamar a isto um riquexó motorizado?" Eu pensava a mesma coisa até que um guia local no Cambodja me explicou. Acontece que não se trata apenas de língua. Tem a ver com a evolução do meio de transporte, como as diferentes culturas o adaptaram, até com os resquícios da época colonial. Ao contrário dos automóveis ou das bicicletas — a que todos chamam da mesma forma —, o riquexó motorizado não foi inventado num único local e espalhou-se. Surgiu de forma independente, em diferentes países, e de cada vez, as pessoas ajustavam-no para se adequar às suas vidas... e davam-lhe um novo nome.
Pelo que li, tudo começou na década de 1930 no Japão. Os fabricantes construíram estes veículos baratos de três rodas baseados em motos, porque as famílias da classe trabalhadora não tinham condições para comprar carros. Precisavam de algo fiável, algo que pudesse transportar algumas pessoas e mantimentos. Depois da Segunda Guerra Mundial, estes primeiros modelos espalharam-se para a Índia, Tailândia e Sudeste Asiático, mas cada lugar os modificou. Na Tailândia, eram feitos ao ar livre, com uma cobertura (perfeita para o calor), pelo que o som do motor passou a ser o nome: tuk-tuk. Na Índia, acrescentaram cabines fechadas (para proteger do pó e das monções), pelo que lhes chamaram riquexós motorizados para os distinguir dos antigos veículos movidos a força humana. No Camboja, começaram por ser reboques puxados por bicicletas, chamados de "remorque", mas quando é que os veículos motorizados tomaram conta? Os habitantes locais simplesmente começaram a chamar-lhes também tuk-tuk. Um guia contou-me que as autoridades turísticas tentaram criar um "nome oficial" em 2013, mas ninguém ligou — todos continuaram a chamar-lhe tuk-tuk. Clássico.
Por estranho que pareça, o colonialismo também teve a sua influência. Em algumas zonas de África, os colonizadores franceses e portugueses deixaram as suas marcas. Em Madagáscar, por exemplo, as pessoas ainda lhes chamam "pousse-pousse" — uma palavra francesa que costumava significar riquexós puxados por pessoas. Com o passar do tempo, o termo passou a referir-se aos riquexós motorizados. Assim, quando alguém pergunta: "Como se chama um riquexó motorizado?", não se trata apenas de uma palavra. É um pequeno pedaço de história. E é por isso que aprender o nome local é uma pequena vitória quando se está a viajar — não se está apenas a usar uma palavra, mas também a vislumbrar um pouco de como as coisas chegaram a ser.
3.º Dica essencial para viajantes: Use o nome certo (ou será enganado — acredite)
Falando a sério: saber como chamar a estes meios de transporte não é apenas uma curiosidade divertida. É como evita parecer um turista perdido — e ser enganado. Eu já passei por isso. Uma vez chamei "auto" a um tuk-tuk em Banguecoque, e o motorista duplicou imediatamente o preço da corrida. Ele sabia que eu não fazia ideia. Os burlões percebem isso rapidamente. Vão cobrar-lhe a mais, fazer o caminho mais longo possível, até fingir que não sabem onde fica o seu hotel — tudo porque usou o nome errado.
Aqui vai a minha cola pessoal — não é preciso decorar um milhão de palavras. Se estiver na Tailândia, Camboja ou Vietname? Diga “tuk-tuk” (pronuncia-se “tuk-tuk”). Os locais vão relaxar imediatamente — vão saber que não é um completo novato. Na Índia, no Paquistão ou no Bangladesh? Utilize “auto” ou “auto rickshaw”. Nunca diga “tuk-tuk” — entrega na hora. Na Nigéria? “Keke-napep” ou simplesmente “keke” funciona. No Sri Lanka, “three-wheeler” (três rodas) está ótimo, e os turistas podem dizer “tuk-tuk” sem serem olhados de lado. Fácil, não é?
E já que falamos nisso, aqui ficam algumas dicas que aprendi da maneira mais difícil (já chega de ser enganado!): Negocie sempre o preço da corrida antes de entrar. A maioria destes veículos não tem taxímetro, principalmente em pontos turísticos. Pergunte à equipa do seu hotel ou a um habitante local qual o valor justo da corrida — eles vão ajudá-lo. Leve troco — os motoristas nunca têm troco para as notas altas, e isso é um incómodo. Se estiver inseguro quanto ao preço ou ao percurso, utilize aplicações como a Ola ou a Uber para táxis na Índia — preços fixos, sem complicações. E o mais importante? Simplesmente desfrute. Estas viagens são turbulentas, barulhentas, por vezes com mau cheiro — mas são a melhor forma de conhecer uma cidade. Vai percorrer ruas estreitas, ouvir música local, acenar às crianças. Não é apenas um meio de transporte — faz parte da viagem.
Então, voltando à questão original: como se chama um riquexó motorizado? É tuk-tuk em Banguecoque, auto em Deli, keke-napep em Lagos. São milhões de nomes diferentes, todos para o mesmo passeio caótico e maravilhoso. Estes nomes não são apenas palavras — são a prova de como este pequeno veículo se enquadra em todas as culturas, como se torna parte dos locais por onde passa. Da próxima vez que viajar, dedique dois minutos a aprender o nome local. Vai poupar-lhe dinheiro, ajudá-lo a conectar-se com os locais e tornar a sua viagem um pouco mais autêntica — menos turística, mais viajante.
Da próxima vez que vir um destes a atravessar a rua a alta velocidade, não só saberá o nome, como também porquê. E se já está a sonhar acordado com a sua próxima viagem? Diga-me: qual o brinquedo (e o nome) de que país está mais ansioso por experimentar?





