Onde podem ser utilizados os tuk-tuks?
Quando alguém diz "tuk-tuk", juro que a primeira coisa que me vem à cabeça é Banguecoque, certo? Aqueles triciclos a passar a zumbir pelas bancas de pad thai, a buzinar como loucos quando as scooters os fecham, ou aqueles riquexós motorizados coloridos e totalmente extravagantes a rasgar os bazares da Índia. É, eu compreendo. Pensei exatamente a mesma coisa durante anos. Achava que era só uma jogada turística, percebe? Subir a um durante 20 minutos, fingir que era um local e voltar para o seu hotel chique. Mas depois passei seis meses a viajar de mochila às costas pelo Sudeste Asiático e por partes de África, e ui, como estava enganado. Completamente enganado.
Os tuk-tuks não são apenas para turistas. Aliás, nem sequer apenas para as grandes cidades. Estão por toda a parte, basta prestar atenção. Em alguns locais, são o meio através do qual os agricultores levam as suas colheitas para o mercado — não há outra forma. Noutros, já os vi a transportar convidados de casamento, a entregar comida quente em apartamentos em ruelas tão estreitas que um carro não consegue passar e até a servir de mini-ambulâncias quando as ambulâncias convencionais não conseguem chegar às pessoas. Por isso, se alguma vez se perguntou: "Onde mais são utilizados os tuk-tuks?", continue a ler. Eis 8 situações que presenciei — sem rodeios, sem conversa de inteligência artificial, apenas a realidade de como estes pequenos veículos transformam vidas.
1. Cidades urbanas: como evitar o trânsito e navegar por ruas estreitas
Comecemos pelo óbvio: as cidades. Mas, mesmo aqui, não se trata apenas de um passeio turístico. Os tuk-tuks foram feitos para cidades movimentadas e caóticas. Ponto final. O seu pequeno tamanho (uma roda à frente, duas atrás) permite-lhes fazer coisas que os carros e os autocarros não conseguem. Lembro-me de uma vez em que fiquei preso num táxi em Banguecoque durante as horas de ponta, durante 45 minutos, sem me mexer um centímetro. E mesmo ao nosso lado, tuk-tuks deslizavam como se estivéssemos parados. O taxista apenas se riu e disse: "O condutor do tuk-tuk conhece todas as ruas secundárias — leva-te lá metade do tempo." E não estava a mentir, nem um pouco.
Em Deli, a maioria dos tuk-tuks são agora elétricos. Os habitantes locais chamam-lhes e-riquexós, e estão por todo o lado — não se consegue andar dois quarteirões sem ver um. Também são baratos — apenas algumas rupias por uma corrida curta — e não libertam aquele fumo denso e nojento que os antigos a gasolina libertavam. Falei com um motorista uma vez, e ele disse-me que poupa tanto dinheiro em combustível agora que consegue mandar os filhos para a escola. Mesmo na Europa, em locais como Roma, vêem-se tuk-tuks a circular pela cidade velha, onde os carros grandes são proibidos porque as ruas são muito estreitas e empedradas. Os turistas adoram, mas os habitantes locais também os usam — especialmente quando não se quer andar um quilómetro de uma ponta à outra da cidade velha.
2. Entrega de Alimentos e Bebidas: Rápida, Eficiente e Económica
Se já encomendou comida por delivery numa cidade movimentada, sabe o quão irritante é. As motos ficam presas no trânsito, as carrinhas de entregas não conseguem estacionar e, na maioria das vezes, a comida chega fria. Mas os tuk-tuks resolvem todos estes problemas. Notei isso principalmente em Jacarta — lá, chamam-lhes bajaj. As aplicações de entrega de comida, como a Grab e a Foodpanda, trabalham com os condutores de tuk-tuk porque são mais rápidos do que as motos e podem transportar muito mais encomendas de uma só vez.
Uma vez conversei com um estafeta em Jacarta. Disse-me que consegue transportar até seis encomendas no seu tuk-tuk — muito mais do que uma bicicleta. E como consegue esgueirar-se pelo trânsito e estacionar em qualquer lado (até em ruelas tão estreitas que mal consigo passar), cumpre mais depressa. Entregas mais rápidas significam melhores gorjetas, obviamente. Em Lagos, na Nigéria, vi tuk-tuks a entregar de tudo: arroz jollof quente, medicamentos de farmácia, até mesmo pequenos artigos como capas de telemóvel. As pequenas lojas também os utilizam: basta fazer uma encomenda e um tuk-tuk entrega em 15 minutos. Sem ter de ficar esperando uma carrinha grande.
3. Transporte ecológico: Tuk-tuks elétricos para cidades verdes
Não sou nenhum ativista ambiental radical, mas preocupo-me com o planeta. E os tuk-tuks elétricos? Mudaram tudo. Os antigos, a gasolina, são barulhentos, malcheirosos e libertam toneladas de gases tóxicos. Lembro-me de andar por Deli há alguns anos, tossindo sem parar porque o ar estava muito carregado de fumo de tuk-tuks e carros. Agora? A maioria é elétrica, e a diferença é gritante.
Os tuk-tuks elétricos (ou e-tuks, como são chamados) funcionam com baterias — zero emissões, quase silenciosos. Andei num em Amesterdão no ano passado; era tão silencioso que conseguia ouvir os pássaros a cantar enquanto conduzíamos pelos canais. Cidades como Singapura e Copenhaga também os utilizam para transportes públicos — viagens curtas pelo centro da cidade, onde não são necessários autocarros grandes. Em África, os tuk-tuks eléctricos fabricados na China estão a tornar-se populares. Os motoristas adoram-nos porque são mais baratos de operar — sem combustível, basta carregar a bateria à noite. Um motorista no Quénia disse-me que agora poupa 50 dólares por semana em combustível. Isso é muito dinheiro para ele, percebe?
Os pontos turísticos também estão a aderir. Em Bali, a maioria dos passeios de tuk-tuk são agora elétricos. Os viajantes ecologicamente conscientes adoram-no porque não prejudicam o ambiente. E sejamos sinceros: ninguém quer passear por uma ilha paradisíaca a respirar fumo de gasolina. Os tuk-tuks elétricos são silenciosos, limpos e tão fiáveis como os antigos. Uma vitória para o planeta, uma vitória para os condutores e uma vitória para todos os que detestam veículos barulhentos e malcheirosos.
Considerações Finais
Então, onde podem ser utilizados os tuk-tuks? Quase em qualquer lugar. Já os vi em cidades movimentadas, pequenas aldeias rurais, resorts luxuosos, festivais de música. Já os vi a entregar comida, a salvar vidas, a ajudar pessoas a ganhar a vida. Não são uma atração turística — são uma solução. Para as pessoas que precisam de um meio de transporte acessível, uma forma de ganhar dinheiro ou uma forma de obter ajuda quando não existe outra opção.
À medida que mais cidades e comunidades procuram transportes compactos, baratos e sustentáveis, os tuk-tuks — especialmente os eléctricos — tornar-se-ão mais comuns. Já vi isso acontecer em Deli, Amesterdão e Nairobi. Estão a dominar o mercado, e por um bom motivo. Funcionam. Adaptam-se à vida real das pessoas, não à vida idealizada por um qualquer algoritmo de IA. Sem características sofisticadas, sem preços exorbitantes — apenas um veículo que faz o que as pessoas precisam.
Da próxima vez que vir um tuk-tuk, não pense apenas em "passeio turístico divertido". Pense em Somchai, o agricultor na Tailândia, a usá-lo para vender as suas mangas. No entregador em Jacarta, a alimentar a sua família. Na jovem na Tanzânia, cuja vida foi salva por ele. Estes pequenos veículos têm um grande impacto — real, humano, sem qualquer disparate de inteligência artificial. E é por isso que vieram para ficar.





